5 Da manha


"5 da manha,
Acordado sem abrir os olhos,
Frio gélido até os ossos,
Mais um dia sem esperança,
Mais um movimento das massas e povos,
Massageio meu dedo sem aliança
No espelho um rosto sem crença sem esperança
De olhos ainda fechados,
Caminhando em passos largos
Correndo apressado,
Para não perde seu transporte diário,
Transporte da morte,
Que mata a cada parada executada,
Preso em um universo móvel e particular,
Apertado na pequena multidão,
Se concentrando eu sua privacidade peculiar,
Ar rarefeito provoca dor em seu peito,
Ainda tem muito caminho para efetuar,
Na demora, a revolta se desperta,
Mal sabe que uma greve lhe espera,
Dia apos dia, noite apos noite,
Com a vida fixa na rotina diária,
Na selva de pedra e de prata
Um mundo civilizado porem selvagem
Tem gente que vive de reciclagem
Tem gente que vive de outro alguém
Tem gente é que como eu, apenas um refém...
Enquanto a greve não passa e o maquinista não vem,
Desenho a capela sistina no teto do trem,
Ainda é terça, a semana nem começou sua degustação
E já vem a frustração, erguendo sua mão
Sem nenhuma compaixão,sem perdão,
No trabalho tem mais humilhação,
A extra foi cortada, esse é o seu salário
Você gostando ou não,
Assim só lhe sobram as migalhas do chão
Corra pegue logo, antes que te mande lamber o chão.
O tempo corre, seu sangue escorre,
E no fim sua vida se torna um clarão,
Uma vida tão medíocre que sobra até espaço no seu caixão,
Então reflita, retorne! Não deixe tudo em vão.
Não desista, mostre para eles que em seu peito,
No lado esquerdo além de dor e desprezo,
Também tem coração
Que não é mais um triste, que desiste antes do enterro.
Que não é mais um vilão do dinheiro."




Jones Francisco Caldeira de Souza 01/08/2011
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